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Split payment para clínicas médicas: como vai funcionar e seus impactos

Split payment para clínicas médicas

A reforma tributária trouxe uma série de mudanças para empresas de todos os segmentos, e uma das novidades que mais tem despertado dúvidas entre médicos, clínicas e consultórios é o split payment

Embora esse mecanismo seja amplamente utilizado em alguns países, ele representa uma grande mudança na forma como os tributos serão recolhidos no Brasil.

Para clínicas médicas, o impacto vai muito além da questão tributária. O novo modelo influencia diretamente o fluxo de caixa, o capital de giro, os controles financeiros e até mesmo a escolha do regime tributário mais vantajoso.

Neste artigo, a Caetano Contabilidade explica como o split payment vai funcionar, quando ele começará a ser utilizado, quais serão seus principais impactos para clínicas médicas e como sua empresa pode se preparar desde já.

O que é o split payment?

O split payment é um novo mecanismo criado pela reforma tributária para realizar o recolhimento do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços).

Atualmente, quando um paciente paga uma consulta ou um procedimento, o valor integral entra na conta da clínica. Posteriormente, em determinada data, a empresa calcula os tributos devidos e realiza o pagamento ao governo.

Com o split payment, essa lógica muda completamente:

No momento em que o pagamento da consulta ou procedimento for realizado, o sistema financeiro fará automaticamente a separação do valor correspondente aos tributos. Assim, apenas o valor líquido será creditado na conta da clínica, enquanto a parcela referente ao IBS e à CBS será direcionada ao Fisco.

Na prática, a clínica deixa de receber o valor bruto da operação para posteriormente recolher os impostos.

O recolhimento passa a acontecer de forma praticamente simultânea ao pagamento realizado pelo paciente ou pela operadora de saúde.

Como o split payment vai funcionar na prática?

Imagine uma consulta cujo valor seja de R$ 500,00.

No modelo atual, os R$ 500,00 entram integralmente na conta da clínica. O imposto será apurado posteriormente, conforme o regime tributário adotado.

Com o split payment, o fluxo será diferente:

  • O paciente realiza o pagamento;
  • A instituição financeira identifica a operação;
  • O sistema calcula automaticamente o valor correspondente ao IBS e à CBS;
  • Esse montante é direcionado ao governo;
  • Apenas o valor líquido é depositado para a clínica.

Esse processo ocorrerá de forma automatizada por meio da integração entre documentos fiscais, sistemas bancários e plataformas de pagamento, reduzindo significativamente a necessidade de recolhimentos manuais.

Quando o split payment começa?

Embora 2026 seja o primeiro ano da transição da reforma tributária, o split payment não será aplicado imediatamente. A implementação ocorrerá gradualmente.

Os regulamentos atuais preveem que sua utilização tenha início em 2027, inicialmente em operações específicas, especialmente entre pessoas jurídicas (B2B), com expansão progressiva para outras modalidades conforme o cronograma da reforma.

Durante 2026, o foco das empresas deve estar na adaptação dos sistemas fiscais, ERPs, emissão de notas fiscais e revisão dos processos internos.

Ou seja, apesar de ainda existir um período de adaptação, clínicas médicas não devem esperar a obrigatoriedade para começar a se preparar.

O split payment muda a carga tributária da clínica?

O split payment não cria um novo imposto nem aumenta, por si só, a carga tributária.

Ele altera apenas a forma de arrecadação. Sendo assim, em vez de a clínica receber o valor integral e posteriormente recolher o IBS e a CBS, os tributos serão separados automaticamente no momento da liquidação financeira da operação.

O que pode mudar é a forma como a empresa administra seu dinheiro.

Hoje, muitas empresas utilizam o intervalo entre o recebimento do cliente e o vencimento dos tributos para organizar seu fluxo financeiro. Com o split payment, essa “folga de caixa” deixa de existir.

Os principais impactos do split payment para clínicas médicas

Embora a carga tributária possa permanecer semelhante, os impactos financeiros podem ser bastante relevantes.

Fluxo de caixa mais enxuto: Como parte do dinheiro será automaticamente destinada ao pagamento dos tributos, haverá menor disponibilidade de recursos no caixa da empresa.

Isso exigirá um planejamento financeiro muito mais eficiente. Clínicas que costumam trabalhar com caixa apertado poderão sentir os efeitos logo nos primeiros meses de implantação.

Maior necessidade de capital de giro: Hoje, muitas empresas utilizam temporariamente os valores que futuramente serão destinados aos impostos para financiar outras despesas.

Com o split payment, essa possibilidade desaparece. Consequentemente, clínicas poderão precisar de maior capital de giro para manter suas operações funcionando normalmente.

Mudanças no planejamento financeiro: O orçamento financeiro também precisará ser revisto. Será importante acompanhar diariamente:

  • Entradas líquidas;
  • Recebimentos por convênios;
  • Prazo médio de recebimento;
  • Despesas fixas;
  • Projeção de caixa;
  • Necessidade de crédito bancário.

Empresas que não possuem controle financeiro estruturado poderão enfrentar dificuldades para manter sua liquidez.

Sistemas precisarão ser atualizados: O split payment depende da comunicação entre:

  • Sistema financeiro;
  • Emissão de notas fiscais;
  • Bancos;
  • Instituições de pagamento;
  • ERP;
  • Plataforma contábil.

Isso significa que clínicas médicas precisarão investir na atualização de seus sistemas para garantir compatibilidade com as novas exigências fiscais. Quanto antes essa adaptação começar, menores serão os riscos durante a transição.

O Simples Nacional será afetado?

As clínicas optantes pelo Simples Nacional também precisarão acompanhar atentamente a regulamentação.

Apesar de continuarem recolhendo tributos por meio do DAS, a reforma tributária criou mecanismos específicos para permitir o aproveitamento de créditos de IBS e CBS em determinadas operações.

Dependendo do perfil da clínica, do volume de faturamento e da carteira de clientes, pode ser vantajoso permanecer no Simples Nacional, migrar para outro regime ou até utilizar o modelo híbrido previsto na reforma tributária.

Por isso, a escolha do regime tributário passará a exigir análises ainda mais detalhadas.

O papel da contabilidade será ainda mais estratégico

Durante muitos anos, a principal função da contabilidade era calcular impostos e cumprir obrigações acessórias. Com a reforma tributária, essa realidade muda.

A contabilidade passa a atuar como parceira estratégica da gestão financeira, ajudando a clínica a:

  • Escolher o regime tributário mais vantajoso;
  • Projetar impactos financeiros;
  • Controlar créditos tributários;
  • Adequar sistemas;
  • Evitar problemas fiscais;
  • Preservar a rentabilidade do negócio.

Em um ambiente tributário mais tecnológico e automatizado, contar com uma assessoria especializada deixa de ser um diferencial e passa a ser uma necessidade.

Conclusão

O split payment representa uma das mudanças operacionais mais importantes da reforma tributária. Embora ele não aumente, por si só, a carga tributária das clínicas médicas, altera profundamente a forma como os tributos serão recolhidos e como o dinheiro circulará dentro da empresa.

Com o recolhimento automático do IBS e da CBS diretamente no momento do pagamento, clínicas precisarão investir em planejamento financeiro, fortalecer seu fluxo de caixa, atualizar sistemas e revisar sua estratégia tributária.

A Caetano Contabilidade acompanha de perto todas as etapas da reforma tributária e pode ajudar sua clínica médica a adaptar processos, escolher o regime tributário mais vantajoso e reduzir riscos durante toda a transição para o novo sistema tributário.

Para saber mais, economizar no pagamento de impostos, e preparar a sua clínica para a reforma tributária, clique no botão do WhatsApp e entre em contato conosco!

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